segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Companheiro urubu


"Tudo bem que ando frágil, mas tem um raio de um urubu que passa o dia me encarando do alto de um prédio que dá aqui pra minha janela. Coisa mais irritante. Ato contínuo, lembro da praga que o muso deste blog me rogou durante o cisma, segundo a qual, considerando a minha vida 'desregrada' e minha fofurice, periga eu morrer antes dele."
Na boa, sei que a parte mais bacana da leitura é você se identificar com a coisa lida. Acho, inclusive, que o maior prazer da coisa lida é que alguém se identifique com ela. Agora, vamos e venhamos, qual é a chance de o ponto central dessa identificação ser um maldito de um urubu? Começo até a achar que o desgraçado que está me encarando nesse momento é o mesmo que estava encarando nossa querida Rozane Monteiro, autora do trechinho citado acima. Sim, a sacana da ave voou lá do Rio de Janeiro até aqui.
Acho que a falta de banho e o tempo exagerado que tenho passado estendida na cama confundiram o bicho.
Quanto à segunda parte da citação a identificação não foi assim tão intensa. Primeiro que ninguém me rogou praga alguma, graças a Deus. Segundo que o muso dessa minha joça jamais faria isso, graças a Deus. E terceiro que eu jamais associaria o urubu a essa coisa toda, graças a Deus.
O ponto é que minha vida ‘desregrada’ (embora não seja mais desregrada que a do muso, nem tampouco mais desregrada que a do urubu) somada a minha fofurice e a minha fragilidade podem de fato me levar à morte antes de qualquer um dos dois.
Reflexões e suposições a parte, a questão é que tem um urubu ali na construção ao lado. Tirei foto e até crocitei pra ele pra mostrar que, ao contrário do que ele pensa, eu estou viva (talvez só um pouco entediada e dormindo além da conta) e que ele está livre pra dar no pé, voltar pro Rio de Janeiro ou procurar outro lugar. Mas que dê o fora daqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Questão de Traje II

Pé, pantufa, pé, pantufa, pé...
- Manhêêêê, cadê o outro pé da minha pantufa?
- Na boca do Pantufa.
- E cadê o Pantufa?
- Correndo por aí, brincando com a pantufa, ué, vai procurar.
Pantufa, pé, pantufa, pé, pantufa...

sábado, 6 de junho de 2009

Pelo quê exatamente a gente paga?

Ontem fui com a minha mãe ao shopping. Adoro comprar! Qualquer coisa serve pra melhorar o meu humor: roupa, colchão, lapiseira. Eu sempre achei que fosse tudo igual. Sabe, tipo, não importa muito o que você está comprando nem quanto está pagando, o prazer da coisa toda está unicamente em levar algo novo e diferente pra casa. Mas ontem mudei de opinião. Acho que preço e qualidade são bastante subjetivos. Depois de entrar em umas três lojas naquele estilo “você que se vire”, com milhares de peças idênticas penduradas em corredores que parecem ser mais difíceis de atravessar do que o Mar Vermelho, entrei numa lojinha daquelas “careiras” só pra ver no que ia dar. A atendente segurou minha bolsa e meu casaco, perguntou meu nome e se ofereceu para ajudar! Provei várias peças e ela foi absolutamente sincera sobre o que ficava bem em mim ou não. Resultado: comprei uma blusa vermelha bem bonita, 30 reais mais cara do que uma outra que eu tinha gostado na “cê que se vire”. Mas o que eu levei pra casa foi muito mais do que uma blusa: levei atenção, boas opiniões, um cafezinho e uma sacola bem bacana de papelão. No fim das contas, o preço mais alto não é nada mais nada menos que um "10% pro garçon".

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Macarrão com brócolis.

Um dia desses eu conversava com a minha madrinha sobre o último capítulo da novela, sobre como pretendia cortar meu cabelo nas férias e sobre como encontrara uma nova forma de incluir vegetais na minha dieta:
- Não que seja lá grande novidade pra você - eu disse a ela - mas a melhor forma de incluir vegetais a sua dieta é misturando-os às coisas de que você gosta. Macarrão com brócolis, por exemplo. Quem liga pra trinta por cento de brócolis quando os outros setenta são macarrão e molho branco, entende?
Acho, realmente, que as coisas funcionam assim, não só com comida, mas com basicamente tudo. Fica muito mais fácil se você misturar as coisas de que você não gosta àquelas que você aprecia. Por exemplo: Se tiver que ir ao supermercado fazer compras (o que é detestável), enfie fones nos ouvidos e curta sua música favorita empurrando o carrinho. Se tiver que cuidar do irmão mais novo, convide-o para jogar videogame ou se tiver que fazer um trabalho chato para a faculdade, faça com a ajuda de um amigo. Pra que tornar coisas desagradáveis um compromisso? Se for pra comer brócolis, que seja com macarrão!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

"Eu seria Al Pacino nessa história toda?"


Lembro-me de ter pensado, durante um longo e excruciante tempo, que Greg Behrendt era um mostro terrível e cruel. Quer dizer: dizer para todas nós mulher que a razão porque sofremos é completamente absurda (e fruto da nossa má interpretação) vai por acaso nos fazer sofrer menos?! Mas foi por conta própria que percebi: devemos tratar os homens como eles são e não como gostaríamos que eles fossem. Eles dizem o que estão sentindo mesmo quando nos recusamos a escutar ou acreditar neles e, se eles mentem, é porque a verdade seria absurdamente mais difícil de a gente encarar. Por isso, sacar o óbvio não é sinônimo de sofrimento, é sinônimo de tempo ganho pra investir em outra coisa. Uma amiga minha disse para mim recentemente que eu “mereço um príncipe” que me trate como uma princesa. Tá, tudo bem, pode até ser que eu mereça, mas há que se concordar que não existem muitos príncipes disponíveis por aí. Os únicos de que me lembro são o Príncipe William, que é provavelmente gay e o Príncipe Harry, que já foi flagrado em bebedeiras e brigas em pubs londrinos, fuma maconha e não é lá muito diferente de tudo que temos ao alcance das mãos. Meninas, parem de sonhar com o príncipe encantado, aproveitem aquilo que têm, e sintam-se especiais por aquilo que vocês são. Funciona, acreditem. Eu sei que é bom receber telefonemas interessados, mensagens, e-mails, recados, beijos, carinhos e comentários que façam com a gente se sinta especial. Ora, vez por outra nós vamos recebê-los! E de caras que são especiais pra nós também! Mas quando isso não acontecer saibam que isso não é culpa sua. Nem dele. Todos têm suas próprias vontades, sonhos, virtudes e limitações. Ninguém merece ter que sustentar o conto de fadas do outro por 100% do tempo. Logo, aproveite os momentos bons com seu marido, namorado ou amigo-colorido. Se ele quiser te encontrar, ele vai. Pare de encarar o telefone.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Questão de Traje I

Enfiou a cabeça pela porta:
- Quer ajuda Dindá?
- Sim, com o sutiã.
- E pra que sutiã na defunta?
- Como é?
- Pra que sutiã na defunta se ninguém mais vai ver?
- Ver o que?
- A defunta!
- Deus vai, oras.
- Mas o SUTIÃ?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Apaixonante

Juro que não existe nada mais apaixonante no mundo do que atendentes de vídeo locadora ou do que guias do museu militar. Quer dizer, quando você começa a aparecer com freqüência em uma mesma locadora sempre tem um atendente que começa a compreender e memorizar seus gostos. É fascinante. Com o tempo ele não erra mais, indica o filme perfeito, que é a sua cara e que se encaixa perfeitamente com tudo o que você está sentindo. Bom, pelo menos comigo é assim. Às vezes o atendente da locadora parece entender melhor e mais precisamente os meus sentimentos do que meu namorado ou minha melhor amiga. Apaixonante. Ah! Isso tudo sem falar no guia do museu militar. Bíceps perfeitos, rosto quadrado: bem masculino, bem militar. E o mais incrível está justamente aí, um baita macho falando sentimentalmente sobre as perdas e os horrores da guerra. Duvido muito que ele saiba alguma coisa sobre a História além daquelas linhas que ele decorou para informar aos visitantes, mas ainda assim, apaixonante.